Mas no foi uma grande pea oratria que tenha partido de uma anlise dilacerante da realidade mexicana.
JORGE CASTAEDA, 39, socilogo e economista mexicano,  professor visitante da Universidade de Princeton (EUA) e catedrtico da Universidade Autnoma do Mxico (Unam).
Essa segunda viso , ao que tudo indica, a que inspirou o presidente Ernesto Zedillo a formar sua equipe de colaboradores e a expor, em seu discurso de posse, no dia 1 de dezembro, seu projeto de governo para os prximos anos.
O elemento de mudanas , evidentemente, a incluso de um representante do principal partido de oposio num cargo-chave a Procuradoria Geral da Justia, abrindo assim caminho para um eventual governo de coalizo, algum dia.
Da anlise que cada um escolher decorrero as concluses prticas, polticas e pessoais s quais ir chegar.
Presidiram a sua formao os critrios que classicamente ditam a escolha das equipes governamentais no Mxico: uma dose de lealdade  toda prova; uma pitada de amizade distante, de preferncia universitria ou dos primeiros escales do funcionalismo; vrias colheradas de representao do velho governo, para que o presidente anterior no se sinta ameaado nem rechaado; e alguns gramas de proximidade a foras polticas excludas, mas ainda toleradas.
Nem o levante de Chiapas, nem os assassinatos de Luis Donaldo Colosio e Jos Francisco Ruiz Massieu, nem o ceticismo que as eleies continuaram gerando, nem as denncias e as lutas internas do PRI, nem mesmo, em suma, a armadilha legada por Carlos Salinas desembocaram numa viso de ruptura e transformao.
O programa de Zedillo, assim como seu gabinete e os discursos de posse de todos os seus predecessores, partem do sutil e tradicional jogo de sempre entre continuidade e mudanas em que o sistema mexicano se fundamenta: muda tudo o que  secundrio, para que permanea o essencial.
A inrcia se imps e a terrvel crise que o pas vive oprimiu pesadamente o sistema poltico mexicano e o PRI.
 muito possvel que, depois dos sustos do ano, os mexicanos anseiem por tranquilidade, segurana e o retorno  normalidade morna dos tempos passados.
O esforo nacional, popular e das elites francesas foi extraordinrio.
Os prximos dias e meses diro qual foi a viso acertada: a da crise  light ou a de  la France ternelle, prostrada por seus mortos em Verdun.
Se for assim, o subestimar deliberado da gravidade da crise vai render politicamente: os mexicanos agradecero ao governo por ter desfeito o pnico que poderia ter se espalhado ao longo de 1994.
